SONHANDO
Célia Lamounier de Araújo 29.05.05
No velho casarão vou abrindo portas e portas na busca de uma sala onde preciso chegar. Escadas e portas e nada. Cansada, portas e portas... Abro mais uma, voam galinhas dangola e estou na imensidão escura do vale, vem lá de longe uma figura feliz, vem vindo, chegando, sorrindo com uma pasta, vem vindo na luz. Me viro e grito: É ele! É ele!... Ele quem? Não tem rosto... Falo eu para a multidão que apareceu na margem de um rio querendo todos atravessar uma pontezinha estreita de cordas que chega na porta de um castelo. Estou na porta do castelo, dançando pendurada em cordas, mas vou abrindo portas, correndo em busca das galinhas dangola do vale, correndo por ali.
Ele quem, ele quem? Ele chegou na porta e dança pé no chão, pé no alto, crescendo, crescendo, pés no alto com alegria. O castelo é uma Faculdade, as galinhas estão na sala sobre as carteiras. A multidão bate palmas e vai passando na pontezinha, sumindo nas portas, gente passando e sumindo. Ele sem rosto, ele bate o sino e pula e fala:
Foi num sonho
onde havia tanta gente,
Angolinha dos rincões
angolinha, angolinha
Vou dançando, vou correndo
angolinha, angolinha
vou dançando e perguntando:
Onde está minha Celinha
perdida na multidão,
angolinha, você sabe?
E angolinha só responde:
- Tô fraco, tô fraco, tô fraco,
não vou procurar mais não.
Nada é imprescindível na vida, a não ser nossos atos de amor e solidariedade.
Nina/03.2004