Nasci
nu
deram-me um banho e um
número
na pia batismal um nome
e o tempo vai moldando
o nome ao corpo e à alma
e do nascido faz-se a palma
que de outros vai magoando
e fatos vão curtindo,
curtindo a pele
que se enruga a cada rusga
a cada impacto
no pacto da vida e morte.
Sempre a porta se abre e
adentro...
para outros, antes da porta
não importa nada,
importa ao nome juntar
títulos
acrescer o nome é crescer
o eterno
da relativa importância
de se chegar sempre em
qualquer lugar.
Há pessoas que não chegam
nunca.
Sempre a porta se abre, se
fecha
a cada ato e para cada um
ficam as marcas vivas
precioso quilate do nu
nascido
que vai partir e regressar
e renascer e revoltar
sempre mais enrustido.
Há pessoas que sempre
ficam.
http://www.celialamounier.net