Poema: S O S
Célia Lamounier - Prêmio MH 1995
Quando olho as sucupiras
da
longa estrada
na qual viajo sem você
me pergunto se iremos
por quanto tempo colher
diamantes nas águas
dos rios
pérolas-verdes folhas ao vento
safiras-flores
no campo.
É que a água calma da fonte
as
pegadas dos animais
a voz dos pássaros no ar
a fragância das capoeiras
guardam jóias-lembranças
de
nossos caminhos
desde o homem de Deus
até
nós...
Pelos caminhos do mundo
pelos caminhos da
vida
pelos caminhos do amor
o
eco...lógico.
Quando
olho os botões Quando
olho o pó do asfalto
que desabrocham
a fumaça das queimadas
rosas e crisântemos na sala a
poeira dos minérios
medito a poesia das cores
as nuvens das chaminés
milagre da
criação celular
a
pele da onça pintada
versos de amor
divino
o couro do jacaré
que caem
sentindo frio
seu corpo jogado à terra
das
almas-pétalas soltas.
descubro qual a má fé:
É que a beleza
das flores
é que nosso homem coitado
nas cores da
natureza
dizendo-se progressista
perfumadas pelo
orvalho
insiste como o Rei Midas
que vem no
silêncio da noite
na louca transformação
nascido de um
céu estrelado
esquecendo
o importante
guarda
lembranças risonhas
sistema de equilibrar
de um
menino-deus ao lado
lembranças
moleculares
de nossa mãe...
vindas no D N A ...
Pelos
caminhos do mundo
Pelos
caminhos do mundo
pelos caminhos da vida
pelos caminhos da vida
pelos caminhos
do amor pelos
caminhos do amor
o eco...lógico.
o
eco...lógico
Quando
olho o céu e o sol
o carro de boi a gemer
no passar da vida rude
tão pura de se
viver
quero uma
estrada cortando
o campo verde
ondulante
um tatu, coelho ou mico
e o canto da seriema.
É que a
tristeza do fato
de tudo estar se acabando
mostra bem a trajetória
dos passos humanos na terra
quanto mais evoluído
tanto mais fica sofrido
o homem-fruto da máquina
que desdenha a natureza...
Pelos
caminhos do mundo
pelos
caminhos da vida
pelos caminhos do amor
ressumbra o
ecológico... eco de SOS
O Eco da Natureza
Vânia Moreira Diniz
Quando ouço os gemidos da natureza,
Encontro em seus ecos a vida,
Gritando em forma de soluços,
Ou lançando gritos de alegria.
Quando vejo a beleza da natureza,
Oculto-me naquele mistério,
O esplendor me torna lânguida,
Espero de sua força a energia.
Quando aprecio a potente natureza,
Perco-me em devaneios silenciosos,
Exaurindo todos as lúcidas reações
E me extinguindo alheia e reconhecida.
Quando sinto o vigor da natureza,
Expressivo em detalhes enigmáticos,
Recolho-me na mansidão de seu alento,
Procurando viver em profundidade.
Quando penetro nos segredos da natureza,
Distancio-me célere de toda a realidade,
correndo urgente em busca da certeza,
E quedando-me já alheia na minha
verdade.
Quando entreolho a esplêndida natureza,
Encolho-me na minha fatal certeza,
Esperando um dia ser um elemento,
A brincar na terra úmida fecundada.
Quando me misturo ao viço da natureza,
Reconheço que a única verdade,
É o eterno que brota em mim e reproduz,
Nas sensações que um dia experimentei.
Vânia Moreira Diniz
02.15.2005
- 3a.CONGRESSO LITERÁRIO DO GRUPO DE POESIA
LUNA&AMIGOS
"TERTÚLIA
PANTANEIRA" SERÁ EM CAMPO GRANDE-MS PARTICIPEM
OBSERVEMOS OS DIREITOS AUTORAIS.