AZUL SOZINHO
Fátima Marques da Cunha

 

Doce estrada, por eucaliptos margeada,
chumbada ao solo.  De que lhe valem os perfumes?
Se dói a solidão desta noite azulada,
Tão esquecida pelos tutelares numes.

E em frente à varanda, eis que o cipreste  gigante,
quer da amplidão, carona, para chegar ao céu,
E beijar  sua  estrela, de azul tão brilhante,
Separada de si, pelo negror do véu.

Que ao pensar tão longe, a lua pouco brilhou
Deixou que a noite invadisse, só prateou,
Descendo,  sobre a natureza em tom marinho...

E a verde relva, agora,  azul enluarada,
Não vê que a água em bica, da fonte, exilada,
Transborda em meu coração todo azul sozinho!