MEIA HORA COM CÉLIA
Programa da Rádio ZY6- Difusora de Itapecerica MG Brasil
Dia 13.03.1988 - (fundo musical: Vitoriosa)
Com vocês, caros ouvintes, a voz e a presença da nossa Célia Lamounier de Araújo:
Bom Dia. Vou dedicar meu programa de hoje às mulheres em geral, meninas, moças,
senhoras, casadas, separadas, viúvas, avós, principalmente às mulheres de Itapecerica e
principalmente às mulheres que além de domésticas, encontram tempo para serem mães,
fazendeiras, enfermeiras, professoras, diretoras, atrizes, dançarinas, etc. etc.
Principalmente ainda, aquelas que sabem conviver socialmente lado a lado com o homem,
participando da vida.
Música: Chuvas de Verão (canta José
Augusto)
Vocês sabiam que em 08.03.1857 houve uma greve de operárias em Nova York e 159 mulheres
morreram no incêndio criminoso, praticado contra elas? Daí ter sido escolhido este dia
para ser o DIA Internacional da Mulher... Que 1975 foi o ANO Internacional da Mulher e de
75 a 85 muitos países comemoraram a Década Internacional da Mulher. Que em julho de 1985
aconteceu a Conferência de Nairobi, com a participação de 150 países, analisando os
acontecimentos da década, na tentativa de MUDAR: mulher-objeto sexual, através da
Educação e da Cultura, para mulher-gente.
Alguém perguntou: por que isso? Ora, para acordar as pessoas é necessário um tratamento
de choque.
Música: Célia canta SONHO (do grupo
roupa Nova).
Tratamento de choque? Sim... Sintam o choque da discriminação! As próprias mulheres
criam e aumentam as diferenças, falando umas das outras. O homem pode fazer o que quiser,
mas é bem vindo em todos os lugares. É até exaltado... Quanto às mulheres, qualquer
coisa, estão sendo criticadas, as mais corajosas então... são "pra frente" e
quando apaixonadas, são menosprezadas. Mentira?
Música: DONA. (grupo Roupa Nova).
Quanto ao amor, na realidade as mulheres são cantadas pelos poetas, pelas músicas e
homens em geral. São as eternas musas chamadas de "deusas, gatas, amantes, lindas,
santas, gostosas" tudo o que uma mulher tem direito ela recebe, através das flores,
das músicas e dos versos.
Música: Linda Demais (Roupa Nova).
Mas depois que se entrega ao amor, a vida nem sempre continua bem. A deusa é chamada de
demônio, a santa é anjo mau, a amante é prostituta. Homens matam mulheres em defesa da
honra (que honra?) e são absolvidos. Mas se é a mulher que mata, ela é condenada a 12
anos (professora Maria Inês Benevides Cruz). É hora de descobrir que as mulheres têm os
mesmos direitos e as mesmas qualidades que os homens. É hora de descobrir que também
sabem trabalhar, decidir, criar, governar e viver. Antigamente, a mulher vivia presa em
casa e se chegava uma visita ficava presa no quarto (como disse Saint Hilaire, visitando
Minas Gerais). Nas ruas e caminhos, a mulher andava atrás do homem. Felizmente em nosso
tempo, a mulher já anda lado a lado, de mãos dadas, olhos nos olhos.
Música SONHO (grupo Roupa Nova)
Falta agora à mulher mostrar que pode estar lado a lado com o homem nas decisões
comerciais, sociais e políticas. Neste setor, apesar de ser a mulher mais da metade do
povo, a proporção ainda é uma em cem. Em cada cem deputados, uma mulher. Em cada cem
diretores, uma mulher, em cada cem motoristas, uma mulher. Em cada lista de jurados, só
homens? EU me orgulho de ter sido a primeira mulher na lista de jurados da cidade de
Ipatinga. E vocês, minhas ouvintes? Têm também o orgulho de participarem de alguma
lista?
Música: Seguindo no Trem Azul (grupo
Roupa Nova).
É preciso... Aprender a compreender nosso próximo, nossas mulheres. Quase todas os atos
- certos ou errados - acontecem pela necessidade de amor. A solidão é o grande mal do
século e todos nós somos solitários e sozinhos: a criança, o adolescente, a mãe, o
pai, a esposa, a mulher da rua, o bêbado, o ladrão, o pivete, o presidente, a madame, a
avó, a tia, o aluno, a professora, TODOS nós... Todos enfrentamos a solidão, e para
fugir dela é que se fazem tantas coisas - erradas ou certas não sei - quem somos nós
para julgar? SEI que precisamos compreender e amar as pessoas, sem a cobrança de seus
atos, cobrando apenas a participação de todos e de todas nessa vida, neste dia, em toda
hora. Ninguém seja omisso. Todos sejam ativistas.
E terminando o programa de hoje, que foi oferecido à MULHER, eu vou cantar para meus
ouvintes-homens (que já aprenderam a valorizar a mulher, como companheira e como gente) -
a música SÁBADO (de José Augusto).
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Célia Lamounier - mensagem copiada hoje do meu Livro, para ser divulgada na Rádio
Nacional de São Tomé e Príncipe (África) no Programa Artes nas Ilhas, de Belmiro da
Graça Soares - setembro/2004.
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